• 468 Jornal A Bigorna 19/04/2021 06:10:00

    Palanque do Zé

    Enquanto escrevo essas linhas, vejo ser enterrado com honrarias militares, Philippos Schleswig-Holstein Sonderburg-Glucksburg, mais “popularmente” conhecido como Sua Alteza Real, Philip Mountbatten, o Duque de Edimburgo.

    Essas linhas servem para retirar da sua cabeça, a ideia de que ele era só o marido da Rainha Elizabeth, o que por si só já seria uma grande coisa.

    O Duque de Edimburgo nasceu em 1921, na ilha grega de Corfu. Tudo começou muito bem, mas um ano depois ele deixou a Grécia em uma caixa de frutas improvisada como berço, após uma insurreição militar.

    Era uma criança sozinha, pois sua mãe foi diagnosticada com esquizofrenia e internada, seu pai fugiu para a França com uma amante e as irmãs foram cuidar das próprias vidas, tendo mantido relacionamento estreito com o nazismo. Por essa razão, foi viver na Inglaterra com a avó materna. Ela era neta da rainha Vitória (1819-1901). Então podemos concluir que ele é primo distante de sua esposa, a Rainha Elizabeth.

    Como ele tinha 99 anos e dez meses de vida, preciso resumir bastante a história e pular muitas partes interessantes, mas ainda assim essa coluna valerá a pena, te garanto!

    Já um adolescente vivendo no Reino Unido, ele estudou e ingressou na Marinha. No ano 1939, conheceu a então Princesa Elizabeth durante uma visita dela à Academia Naval Britânica, na qual ele fora destacado para ciceroneá-la. Foi aí que passaram a trocar correspondências.

    Durante a Segunda Guerra Mundial, lutou no Mediterrâneo e no Pacífico, oportunidade em que salvou a própria vida e a de outros soldados ao construir uma falsa embarcação que atraísse a atenção de um ataque aéreo alemão, permitindo que o navio onde estavam escapasse.

    Ao casar-se com a então futura Rainha Elizabeth no ano de 1947, se naturalizou britânico, converteu-se à fé anglicana e abdicou de seus direitos a tronos estrangeiros, mas tornou-se o Duque de Edimburgo.

    Ainda antes de sua esposa tornar-se Rainha, continuou suas atividades navais, tendo atingido o posto de “Commander”, que é equivalente ao nosso Capitão de Fragata.

    Durante uma viagem à Comunidade das Nações que fez junto com Elizabeth, o Rei George VI morreu. Foi ele o responsável por contar para a esposa, que ela havia se tornado a Rainha. A partir daí, se afastou das atividades da Marinha para servir somente a sua Soberana.

    Nessa missão, passou décadas viajando pelo exterior e indo a eventos representando a Monarquia e se dedicando a atividades filantrópicas. No período, participou de mais de 22 mil cerimônias públicas. Desde 2017, estava aposentado da vida pública.

    Ao longo de sua vida, se tornou patrono de aproximadamente oitocentas organizações filantrópicas de diversos ramos, tais como meio ambiente, industrial, esportes e educação.

    Ainda nesse âmbito da caridade, é importante lembrar que o Duque era rotariano. Na condição de Sócio Honorário, foi integrante dos Rotary Clubs de Edimburgo (Escócia), Windsor e Eton (Inglaterra).

    Ao resumir sua vida de trabalhos à Coroa Britânica, afirmou: "Dei o que eu acho que é o meu melhor. Algumas pessoas acham que é suficiente. Outras não. O que posso fazer sobre isso? Não posso mudar minha forma de fazer as coisas. É o meu estilo. Sinto muito, mas vão ter que lidar."

    Já sua esposa, a Rainha Elizabeth, foi um pouco mais generosa: "Ele não gosta de elogios, mas tem sido minha força e meu guia todos esses anos. E eu, e toda a sua família, e este e muitos outros países, temos com ele uma dívida maior do que ele jamais diria, (e maior) do que jamais saberemos."

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